Opções, quando faz sentido e como decidir com informação.
A preservação da fertilidade reúne estratégias médicas para proteger a possibilidade de ter filhos no futuro, quando existe risco de perda de fertilidade por tratamentos, cirurgia ou pela diminuição natural com a idade.
É importante compreender que a fertilidade feminina tem um tempo biológico próprio, que nem sempre acompanha o ritmo da vida atual. A fertilidade é máxima por volta dos 20 anos, diminui progressivamente ao longo do tempo e essa redução torna-se mais significativa a partir dos 35 anos.
A mulher nasce com todos os seus óvulos — não produz novos ao longo da vida. Com o passar dos anos, a reserva ovárica diminui e os óvulos envelhecem, o que pode dificultar a gravidez.
Em que situações é mais considerada
É particularmente relevante quando:
- existe adiamento da maternidade e preocupação com o impacto da idade materna
- há diagnóstico de endometriose
- estão previstas ou já foram realizadas cirurgias aos ovários
Em situações menos frequentes:
- tratamentos potencialmente gonadotóxicos (como quimioterapia ou radioterapia)
- condições médicas associadas a risco de insuficiência ovárica
Opções principais (em linguagem simples)
- Congelação de ovócitos (óvulos)
É a opção mais utilizada. Consiste na estimulação dos ovários, recolha dos ovócitos e criopreservação para utilização futura. - Congelação de tecido ovárico
Pode ser considerada em situações específicas, sobretudo quando não há tempo para estimulação ovárica. - Preservação da fertilidade no homem (congelação de esperma)
Método estabelecido, particularmente relevante antes de tratamentos oncológicos.
Quando o tempo é curto: o que é mais importante
Em contexto oncológico, a discussão deve acontecer o mais cedo possível, idealmente antes do início do tratamento, para manter o maior leque de opções.
Se o tratamento não pode esperar, a decisão centra-se em estratégias viáveis no tempo disponível, com articulação entre as equipas envolvidas.
Idade e probabilidades: porque o “quanto mais cedo, melhor” é real
Na preservação planeada, a eficácia está diretamente ligada à idade no momento da congelação. Quanto mais cedo, melhor a qualidade ovocitária e maior a probabilidade de sucesso futuro.
A preservação da fertilidade não é uma garantia, mas sim uma forma de aumentar opções futuras.
Como decidir (sem sobrecarga)
Uma forma prática de decidir é responder a estas perguntas em consulta:
- Qual é o meu risco real de perda de fertilidade?
- Que tempo tenho disponível?
- Qual a opção mais adequada ao meu caso e objetivos?
Quando deve pedir orientação médica
Se está a ponderar adiar a maternidade, tem diagnóstico de endometriose, vai ser submetida a cirurgia ovárica ou iniciar tratamentos com potencial impacto na fertilidade, faz sentido discutir este tema em consulta.
O encaminhamento precoce permite tomar decisões informadas e maximizar opções.
