O primeiro passo na fertilidade: o que é avaliado no casal e porquê.
O estudo inicial do casal (ou da pessoa/casal que procura engravidar) tem um objetivo muito prático: perceber, de forma organizada, se existem fatores que estão a dificultar a gravidez — e escolher o caminho mais eficaz sem exames desnecessários.
A avaliação é feita, idealmente, em paralelo para ambos, porque as causas podem estar na mulher, no homem, em ambos, ou não ser imediatamente identificáveis.
Quando faz sentido iniciar o estudo
Em termos gerais, recomenda-se iniciar avaliação quando não há gravidez após:
- 12 meses de tentativas regulares sem contraceção (se a mulher tiver menos de 35 anos)
- 6 meses (se a mulher tiver 35 anos ou mais)
Também pode fazer sentido não adiar quando existem ciclos muito irregulares, suspeita de endometriose/SOP, cirurgias pélvicas, infeções pélvicas prévias, ou quando já existe suspeita de fator masculino.
O “mínimo essencial” do estudo inicial
De forma simples, o estudo base procura garantir três coisas:
- evidência de ovulação
- avaliação da cavidade uterina e das trompas (estrutura e permeabilidade, quando indicado)
- espermograma (avaliação seminal)
O que é avaliado na mulher
A consulta começa por história clínica e, conforme o caso, pode incluir:
- Ciclo e ovulação: quando há ciclos regulares (por exemplo, entre 21–35 dias), muitas vezes não é necessário “provar” ovulação com muitos testes — a avaliação pode ser mais dirigida ao caso.
- Ecografia pélvica: ajuda a avaliar útero e ovários (por exemplo, miomas, pólipos suspeitos, quistos, sinais compatíveis com endometrioma, etc.).
- Trompas (permeabilidade): quando é relevante para decidir o plano, podem ser usados exames como histerossalpingografia (HSG) ou sono-histerografia (SHG), entre outros, para avaliar permeabilidade tubária e cavidade uterina.
O detalhe dos exames varia com a idade, história clínica e tempo de tentativa — não há um “pacote igual para todas”.
O que é avaliado no homem
O primeiro exame, na maioria dos casos, é o espermograma, porque é uma forma objetiva de avaliar fatores masculinos e deve ser feito cedo no processo.
Se o resultado vier alterado, é frequente ser pedido repetição e/ou avaliação adicional, consoante o tipo de alteração e o contexto clínico. A abordagem deve ser orientada por profissionais de saúde com experiência em fertilidade e andrologia/urologia reprodutiva quando indicado.
O que levar para a consulta (para acelerar o processo)
Ajuda muito levar:
- datas e padrão do ciclo menstrual (e sintomas associados)
- histórico de tentativas e frequência de relações
- medicação e suplementos atuais
- exames já feitos (citologia/HPV, ecografias, análises, espermogramas, etc.)
- cirurgias, infeções, diagnósticos prévios (ex.: SOP, endometriose)
Isto costuma reduzir idas e vindas e torna a avaliação mais eficiente.
O que acontece depois do estudo inicial
Depois de clarificada a situação, o plano pode ir desde otimização de hábitos e orientação do momento mais fértil, até tratamentos como indução da ovulação, IIU ou FIV, dependendo do diagnóstico e do tempo disponível. O ponto-chave é que o plano seja individualizado e explicado com clareza (probabilidades, alternativas e próximos passos).
